A Relação das Juventudes na construção de Sociedades Sustentáveis
A REJUMA NA RIO+20
“A educação ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político, baseado em valores para a transformação social”.
Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global
As juventudes se organizam em prol de causas diversas há muito tempo. É possível perceber sua efervescência e seu papel fundamental nos processos de transformação da sociedade em vários momentos históricos, contudo, apenas nos últimos anos estes atores vêm se fortalecendo como protagonistas de mudanças socioambientais pela sua organização e atuação em “redes”, com vistas a conhecer, compartilhar e trocar experiências e ações, possibilitando, assim, novas articulações e mobilizações para minimizar a crise planetária eminente.
Desde a Conferência Internacional Rio 92 (Rio de Janeiro, junho de 1992) é notável o envolvimento dos jovens e o senso deste protagonismo juvenil. Esse espírito empreendedor, criativo e responsável se deve a compreensão de que a juventude também pode construir e colaborar com os processos da Educação Ambiental, vista neste caso, como prática dinâmica e transformadora dos paradigmas, pois a juventude sente a necessidade de se fazer presente realçando sua capacidade autônoma, dinâmica e orgânica.
Entre os exemplos práticos do envolvimento das juventudes com a Educação Ambiental, cabe ressaltar a formação e intervenção dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJs), - formados no âmbito das Conferências Nacionais Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), promovidas pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação. Os jovens dos CJs, organizados em todos os Estados Brasileiros, foram corresponsáveis pela organização de todo processo destas conferências seguindo o princípio “jovem educa jovem”, ou seja, jovens contribuindo no engajamento, mobilização e formação de outros jovens.
Jovens sensibilizados e ativos não podem atuar de forma isolada ou duplicando esforços e, portanto, a opção por atuar em Rede reforça a articulação das juventudes, fazendo a ponte necessária entre os movimentos de juventude, coletivos jovens de meio ambiente, organizações não governamentais e indivíduos que se preocupam com o planeta. É deste processo, que emerge a Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA, que credita e assume como eixo-condutor do processo de transformação de indivíduos e coletivos a Educação Ambiental, potencializando, fomentando e fortalecendo as diversas juventudes na construção de espaços concretos de articulação e mobilização destes atores sociais em prol de sociedades sustentáveis, mais justas e equitativas.
A REJUMA é uma das experiências protagonistas da juventude que tem dado certo! Exatamente por tratar-se de uma rede de jovens ligados às questões socioambientais, com intervenção e mobilização em todos os Estados Brasileiros e também em contato com jovens de outros Países, numa escala planetária. A Rede vem se fortalecendo com ações locais das mais diversas instâncias; seja na troca permanente de informações ou na execução práticas de atividades, projetos e experiências realmente transformadoras.
Neste sentido, a ação em Rede tem fortalecido a construção de novos olhares, possibilitando assim a criação de outras possibilidades de articulação de jovens por um mundo melhor e fomentando cada vez mais as redes locais num processo de capilarização e empoderamento das juventudes para a ação socioambiental. Trata-se, portanto, de um novo campo, que oferece espaço para a discussão e articulação destas juventudes a nível local, regional, nacional e planetário.
A mobilização da REJUMA em torno da Educação Ambiental Brasileira é feita pelo fortalecimento e a mobilização das Redes de Educação Ambiental (Estaduais e/ou Temáticas) de forma integrada com a Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), se reconhecendo como parte da sua “malha”. Desta forma, a REJUMA assume o “Tratado de Educação Ambiental” como sua Carta de Princípios e vem se mobilizando, cada vez mais, a participar e inserir tais princípios em suas práticas educativas e ações cotidianas.
Este envolvimento destaca-se principalmente com a realização em 2007 do Encontro Nacional: "Os olhares da juventude sobre o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global” realizado em Pirenópolis (GO). O evento proporcionou um mergulho no Tratado – sua história, processo de construção, conjuntura em que foi gerado, conteúdo e princípios. Tal iniciativa conseguiu reunir e aglutinar jovens de todas as regiões do país, além de representantes internacionais e educadores ambientais brasileiros de renome, de modo a mobilizar, disseminar esta temática junto às juventudes, aprofundando e envolvendo estes atores sociais cada vez mais a entender e praticar os princípios do Tratado de Educação Ambiental.
A REJUMA integra a Secretaria Executiva da II Jornada Internacional de Educação Ambiental, cujas atividades vêm mobilizando a sociedade (âmbitos nacional e internacional) rumo à RIO+20 no intuito de construir uma Rede Planetária de Educadoras e Educadores para Sociedades Sustentáveis com Responsabilidade Global. A Rede Planetária, vista como uma estratégia, é a mola propulsora para a continuidade das ações pós RIO+20, a fim de também desencadear um grande processo de articulação, mobilização, formação e contribuição das juventudes que fazem do hoje, seu futuro!
Por Diogo Damasceno Pires*
* Diogo Damasceno Pires é integrante da Secretaria Executiva da II Jornada Internacional de Educação Ambiental e compõe o Grupo Articulador da Cúpula dos Povos na Rio+20. Facilitador de várias Redes de Educação Ambiental, entre elas a REIA-GO, a REACERRADO, a REJUMA e a REBEA. O texto conta com contribuições de Adenevaldo Teles Júnior e Andrée Ridder.

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